Eu nasci no fim do mundo - já sobrevivi a três - a minha vida é uma página praticamente em branco, só com riscos. Eu sou uma estrela, só falta encontrar minha constelação.
Eu vou navegando nas letras dos livros em busca de informação; navegando entre os países, em busca de sua canção. De cheiro novo, do cheiro das águas das nuvens.
Eu sou um pássaro - ou sonho em ser. Quero descobrir, sentir, conseguir, quero ouvir, preencher meu livro e formar-me biblioteca.
Na verdade, eu sou o nada. E eu sou o tudo. Eu posso ser aquela pedra, ser o sol, usar a beleza da lua e brilhar como uma estrela. Ou eu posso ser aquele grão de areia, ou aquela formiguinha, essa sou eu.
Eu posso ser uma árvore e criar raízes. Ou posso ser um noivo que vai parar bem longe; ou uma tartaruga escondida no casco porque tem medo de sair. Eu posso ser o branco. Eu posso ser um prédio em construção. Eu sou eu.
Natália Lopes de Melo Souza
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