Dia 1
Não sei o que está acontecendo com o meu pai e sua plantação, desde que começou o verão ele está agindo estranho. Decidi começar a escrever um diário sobre os acontecimentos aqui no sertão.
Dia 4
Hoje meu pai e eu estávamos jantando com minha mãe, quando ela disse:
- José vai pegar o sal.
Levantei e peguei o sal.
Meu nome é José Augusto Shepered, tenho 10 anos e moro no Sertão. Sou branco com cabelos encaracolados e o nariz grande. Sou alto e gordo. Meu pai pediu para passar-lhe o sal. Quando ia fazer, minha mão escapuliu e o sal caiu em cima dele. Ele se levantou e brigou comigo e com a minha mãe. mas ele parecia está descontando a raiva do trabalho em nós.
Dia 8
Não tenho muita coisa a contar hoje, apenas meu pai está ficando cada vez mais estressado pela sua plantação de milho e feijão. Ele diz que é bom plantar feijão junto ao milho, pois eles crescem juntos, e o feijão sobe nele.
Dia 12
Hoje alguns caras vieram em casa à noite para falar com o pai. Eles falaram algo sobre aluguel…
Dia 15
Faz tempo que não vejo a chuva, a plantação do meu pai está morrendo.
Dia 30
Mamãe está saindo de casa frequentemente todas as noites. Meu pai está paranóico.
Dia?
Faz tempo que não escrevo aqui. Os anos se passaram desde do suicídio de meu pai, há 5 anos atrás. Encontraram ele morto com uma M5 na mão e sua cabeça estourada.
Arrumei um emprego numa padaria para pagar a faculdade. Mudei de cidade e de nome. Estou em São Paulo agora. Nas horas vagas vendo laranja na rua. Tenho muita dificuldade para ler e escrever.
Vinícius Eduardo
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